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Partilhas de saberes de fora para dentro da academia


Diante de tantas demandas que estou tendo nesse mês de abril, aceitei a mais um convite feito pelo Departamento de Comunicação da UFRN (Decom/UFRN). Dessa vez, para participar de uma palestra sobre editais culturais promovidos por um projeto de extensão. Bom, minhas experiências não foram tantas, mas acredito que são suficientes para partilhar e contribuir com os recém-chegades na academia. Mas nada aconteceu da noite para o dia.


A longa espera pela linha circular debaixo de uma sombra lançou-me nostalgias sobre tantas vezes que me desloquei à academia, diariamente, para assistir as aulas durante o curso de Audiovisual. No início, não sabia exatamente o que faria após todas as aulas, teorias, trabalhos e avaliações. Confesso que estava perdido. Diante de tantos percalços no decorrer dessa tajetória, o desânimo e a vontade de desistir fizeram parte, por algum tempo, dos meus dias.


Sutilmente, fui percebendo que o mercado audiovisual potiguar não me garantiria um emprego estável, nem muito menos a academia. As oportunidades não seriam tão simples assim, depois de conseguir o diploma. Então, eu não esperei, fui atrás, fiz por onde acontecer até os dias de hoje!


Depois de três anos da minha formatura, estive de volta no mesmo auditório em que apresentei meu TCC, em 2019. Desta vez, para palestrar na oficina Descomplicando Editais Culturais,promovida pelo coordenador Rodrigo Almeida que, inclusive, foi professor de uma das disciplinas que cursei e supervisor do meu estágio no último semestre do curso.


Embora tenha participado de outras situações através do Decom/UFRN, estar presencialmente ali, foi outra dinâmica, diferente da proporcionada pelas aulas remotas. A cada momento de fala, os comentários e questionamentos apresentavam-se. E na condição atual de eu ter passado por tantas situações e já estar envolvido na área em que atuo, tive segurança para dialogar e partilhar conhecimentos com os participantes.


Os encontros e convites realizados pela UFRN sempre são muito significativos para minha trajetória acadêmica e profissional, ao passo que são momentos que guardo com boas recordações e sou grato pelos reconhecimentos; também são momentos em que jamais eu esperava que acontecesse! Talvez pelo fato de que, por muito tempo, eu autoboicotei minha capacidade de realizações.


Algumas pessoas já me questionaram sobre minhas passagens pelos departamentos de Letras, Biociências e Antropologia durante minha graduação. Mas chegou um determinado momento que eu percebi que poderia conhecer e estudar outras áreas de meu interesse e dialogar tranquilamente com a comunicação, especificamente, com o audiovisual. Isso me possibilitou ricos conhecimentos das quais levo comigo até hoje.


Permitir-me a vivências e experiências diversas enquanto estava na academia e também fora dela, envolvendo-me com outras movimentações políticas, étnicas, raciais e sociais, foram cruciais para os meus desenvolvimentos intelectual e profissional, e como ser humano. Acredito que cada pessoa tem seu tempo e seus processos dentro desse mesmo tempo, porém, isso não é uma receita de bolo.


Aprendi que o conhecimento, quando não utilizado para um bem comum transformador e de retorno para a sociedade, seja em que formato for, anula-se e esvazia-se de sentidos. Mas essas percepções acontecem sutilmente e têm seus processos.


Texto por Fábio de Oliveira @taangahara

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